Venha,pegue o que quiser e passe adiante... Por mais que plantem o mal, prossiga semeando o bem...
A mente que mente é regador de ilusões não faz proliferar jardim...
Amigos que agente faz por ai...
sexta-feira, julho 06, 2012
quinta-feira, julho 05, 2012
A escola moderna e Ferrer
Francisco Ferrer (1859-1909) nasceu em Barcelona, numa família de camponeses católicos. A educação religiosa e autoritária que ele sofreu na escola de sua aldeia gera em seu coração uma revolta que permanecerá sempre vivaz: "Eu só tinha" diria posteriormente, "de fazer o contrário do que vivi". Ë sucessivamente fazendeiro, empregado numa fábrica de tecidos em Barcelona – onde é tocado pelas idéias anarquistas disseminadas entre o proletariado da cidade catalã – e ferroviário; milita no movimento republicano e anticlerical. Tendo participado de uma manifestação contra a monarquia em 1886, é obrigado a expatriar-se e se junta em Paris aos meios anarquistas. É ali que se afirma sua vocação pedagógica ao dar aulas particulares de espanhol para sustentar sua família. Publica inclusive um tratado de espanhol prático. Milita igualmente no movimento maçônico. Viaja pela Itália, Suíça e Bélgica interessando-se por todas as experiências de inovação pedagógica. Munido dessa bagagem e à frente de uma herança considerável deixada por uma admiradora, retorna à Espanha em 1901, e decide fundar a "Escola Moderna" com a qual sonha. Para isso, deve vencer muitas prevenções e resistências; mas sua tenacidade supera todos os obstáculos. O sucesso ultrapassa todas as expectativas: em 1908 há dez "escolas modernas" em Barcelona, quase cento e cinqüenta na Catalunha, estabelecimentos em Madri, Sevilha, Granada, Cádis... Sua irradiação ultrapassa as fronteiras da Espanha eescolas Ferrer são fundadas em Portugal, no Brasil, Suíça e Holanda.
A escola moderna é mista e aberta a todos os meios (conquanto paga, o preço da pensão varia em função da renda dos pais); ela é laica e bane todo ensino religioso. Enfim, é também racional e científica.
Dotada de uma biblioteca, de uma tipografia, de um serviço de edição que publica manuais e obras pedagógicas, ela aparece como um foco intenso de cultura popular. Ferrer quer que ela seja um instrumento de emancipação e propagação das idéias libertárias diante do "adestramento" do ensino oficial de educação, "poderoso meio de subjugação nas mãos dos dirigentes", que habitua as crianças "a obedecer, a crer, a pensar segundo seus dogmas sociais que nos regem". Para ele, o ensino deve ser uma força a serviço da mudança: "queremos homens capazes de evoluir incessantemente, capazes de destruir, renovar constantemente os meios e renovar-se a si mesmos".
Assim, o principio fundamental da Escola Moderna é a liberdade da criança; ela esforça-se para respeitar seu movimento natural, sua espontaneidade, as características de sua personalidade; quer desenvolver sua independência, seu juízo, seu espírito critico; "prefiro", diz Ferrer, "a espontaneidade livre de uma criança que não sabe nada, à instrução de palavras e à deformação intelectual de uma criança que sofreu a educação atual".
Inspirando-se na educação integral de Robin, dá um amplo espaço às atividades físicas e manuais. Sua pedagogia não apela nem para a coação, nem para a competição: "na escola moderna não há recompensa nem castigo (...) também não há exames para inflar algumas crianças com o título lisonjeiro de "excelentes", distribuir a outros o título vulgar de "bons" e rejeitar o resto na consciência desafortunada da incapacidade e do fracasso.
Ao lado da experiência pedagógica da escola moderna, Ferrer esforça-se para dar uma vasta difusão às idéias que o animam e para coordenar os esforços conduzidos em diferentes países. Foi assim que em 1908 foi criada uma revista internacional L'École Rénovée, na qual são discutidas "todas as idéias e todas as tentativas que concernem à renovação da escola" e onde se encontra, além da assinatura de Ferrer, a de Kropotkin, Robin, Domela Nieuwenhuis, Ellen Key, Willian Heaford e a maioria dos pedagogos libertários da época. Ao mesmo tempo, ele quer dar uma audiência internacional à liga da educação libertária de Robin e suscita a organização de uma liga para a educação racional da infância cujos objetivos são: dar ao ensino uma base científica e racional, defender a idéia de uma educação completa e harmoniosa, englobando "a formação da inteligência, o desenvolvimento do caráter, a cultura da vontade, a preparação de um ser moral e físico bem equilibrado" e assentar a pedagogia sobre um conhecimento da psicologia da criança.
Como a de Robin, a obra de de Ferrer chocou-se contra vivas resistências e sofreu ataques violentos. Ele próprio foi preso pela primeira vez em 1906, mas absolvido. Em 1909, momento de grande efervescência na Catalunha é novamente detido, julgado a portas fechadas por um conselho de guerra, condenado à morte e executado; seu ultimo grito é: "viva a escola moderna". Sua morte provoca uma profunda emoção pelo mundo, em todos os meios da pedagogia libertária, na medida da influência que ele tinha exercido.
Referência Bibliográfica:
SAFÓN, Ramón. O racionalismo combatente de Francisco Ferrer Y Guardia. Imaginário. São Paulo. 2003. 96p.
Número de instituições federais em greve no País chega a 30
Do total de 59 universidades federais do Brasil, mais da metade iniciou greve por tempo indeterminado a partir da última quinta-feira. Segundo a Associação Nacional dos Docentes do Ensino Superior (Andes), professores de 30 instituições de educação (28 universidades e dois institutos) declararam oficialmente a paralisação das atividades. A previsão é de que mais universidades entrem em greve na semana que vem.
Entre as reivindicações, estão a reestruturação da carreira da categoria e as condições precárias de trabalho, atribuídas à falta de estrutura nas universidades. No Brasil, são 64 seções sindicais de 59 universidades federais ligadas ao Andes.
De acordo com Aloisio Porto, do Comando de Greve da Andes, o atual plano de carreiras não permite um crescimento satisfatório do professor ao longo da carreira. "Hoje para chegar no teto da carreira ele levaria quase 30 anos". De acordo com o dirigente sindical, foram feitas mais de dez reuniões com o Ministério do Planejamento para revisão dos planos, mas não houve avanço na negociação. Assembleias marcadas para amanhã e para o início da próxima semana devem confirmar a adesão de professores de outras instituições à paralisação, segundo Porto.
O Ministério da Educação (MEC) informou, por meio de nota, que "reafirma sua confiança no diálogo e no zelo pelo regime de normalidade das atividades dos campus universitários federais". O governo ressalta que o aumento de 4% negociado no ano passado com os sindicatos já está garantido por medida provisória assinada no dia 11 de maio. O aumento será retroativo a março, conforme previsto no acordo firmado com as entidades.
"Com relação ao plano de carreira, a negociação prevê sua aplicação em 2013. Os recursos devem ser definidos na LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias) até agosto deste ano, o que significa que temos tempo. As negociações entre o Ministério do Planejamento e as representações sindicais seguem abertas", explicou o MEC.
Veja a lista de instituições com seus respectivos campi que aderiram à greve:
1 - Universidade Federal do Amazonas (Ufam)
2 - Universidade Federal de Rondônia (Unir)
3 - Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA)
4 - Universidade Federal do Pará (UFPA) - Campi Central e Marabá
5 - Universidade Federal do Oeste do Pará (UFOPA)
6 - Universidade Federal do Amapá (UNIFAP)
7 - Universidade Federal do Maranhão (UFMA)
8 - Universidade Federal do Piauí (UFPI)
9 - Universidade Federal do Semi-Árido (UFERSA) - Campus Mossoró
10 - Universidade Federal da Paraíba (UFPB)- Campi Central, Patos e Cajazeiras
11 - Universidade Federal de Campina Grande (UFCG)
12 - Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE)
13 - Universidade Federal de Alagoas (UFAL)
14 - Universidade Federal de Sergipe (UFS)
15 - Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM)
16 - Universidade Federal de Uberlândia (UFU)
17 - Universidade Federal de Viçosa (UFV)
18 - Universidade Federal de Lavras (UFLA)
19 - Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP)
20 - Universidade Federal de São João Del Rey (UFSJ)
21 - Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes)
22 - Universidade Federal do Paraná (UFPR)
23 - Universidade Federal do Rio Grande (FURG)
24 - Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT)- Campi Central e Rondonópolis
25 - Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ)
26 - Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM)
27 - Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR)
28 - Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB)
29 - Instituto Federal do Piauí
30 - Instituto Federal de Minas Gerais
Com informações da Agência Brasil
quarta-feira, julho 04, 2012
Ajuda
Imagem: getty images
Essa postagem vem de uma blog que eu gosto muito pois da exemplo de amor , luta e do que é belo na vida estou repassando porque como quase sempre me sensibilizou e sei que vai te sensibilizar tbm, vai direto ao blog e sinta...lagartavirapupa.com.br
“…As you get older, remember you have another hand: The first is to help yourself, the second is to help
others.”
~ Audrey Hepburn
Algumas vezes, quando vou levar o Theo na escola, encontro com uma certa mãe e seu filho. Ele aparenta ter autismo severo e muita, muita hiperatividade.
Da última vez em que a vi, ela corria atrás dele na calçada. Ele, que já é bem grande perto da mãe, parecia se divertir com a brincadeira. E, pela primeira vez, meu olhar cruzou com o dela, bem no meio da confusão. E eu vi tanta coisa dentro desse olhar…
Vi, acima de tudo, cansaço. Nos olhos caídos, nas olheiras, vi aquele cansaço que te impede de pensar, de raciocinar, de ver as coisas com clareza. Vi uma tristeza profunda e uma dor lancinante. Vi, também, muita resignação. E percebi um pedido mudo de socorro. Às vezes, o silência grita.
Fui embora com o coração apertado. E não pude deixar de pensar em quantas pessoas se encontram na mesma situação. E, se você que está lendo esse texto é uma dessas pessoas, eu queria te pedir, por favor, para procurar ajuda. Existem vários grupos de apoio onde você vai poder conversar com pessoas em situação parecida, que genuinamente entendem e se importam. Existem profissionais diferentes, métodos diferentes, que talvez possam ajudar seu filho ou filha. A internet propicia essa proximidade e várias possibilidades. Por favor, não desista! Não perca a alegria de viver! Sempre há uma luz no fim do túnel!
Eu tenho aprendido isso com várias pessoas que acessam esse blog e me contam as suas histórias. Histórias tristes, muito tristes, contadas por pessoas cheias de esperança e amor no coração. Pessoas que me inspiram profundamente e que têm tanto a ensinar.
Agora, se você está do outro lado da situação – se tem um amigo ou conhecido com um filho especial – , gostaria de te pedir para prestar mais atenção aos sinais. A maioria dessas pessoas não pede abertamente por socorro. Aparentemente, na cabeça de todo mundo, pais de crianças com necessidades especiais são mais fortes que a média, infalíveis, quase imortais. E, muitas vezes, esses pais têm uma certa vergonha em romper esse padrão mental das pessoas.
Portanto, preste atenção. Pergunte. Ofereça ajuda. De qualquer tipo. Ao invés de repetir chavões como “pais de crianças especiais são especiais também”, que tal dizer “estou aqui para o que você precisar, e isso inclui ficar com o seu filho um pouco enquanto você descansa”?
Pedir ajuda não mostra que ninguém é fraco, mas que é humano. E oferecer ajuda é o que temos de mais próximo do divino. Que tal exercitar?
Com carrinhos de supermercado vazios, professores grevistas protestam em Itabuna
Vem da Bahia o exemplo de luta e resistência...que esta postagem sirva de exemplo para todos os professores e aos colegas da Bahia meu muito obrigada e a luta continua.
Em greve há 85 dias, os professores da rede estadual na cidade de Itabuna, no Sul da Bahia, realizaram um protesto contra o governo do estado na manhã desta quarta-feira (4). De acordo com informações do blog do Pimenta, a manifestação foi organizada pela Associação dos Professores de Itabuna (API/APLB) e contou com a participação de representantes da OAB-Itabuna, sindicalistas ligados ao PCdoB e de partidos como o PSTU.
A manifestação aconteceu na manhã de hoje (Foto: Blog Pimenta)
Além de faixas de protesto, os cerca de 50 manifestantes utilizaram carrinhos de supermercado vazios fazendo referência à suspensão dos salários dos professores grevistas pelo governo.
Apesar do protesto na cidade baiana, a Secretaria da Educação do Estado da Bahia (SEC) informou que 1.040 das escolas da rede estadual funcionaram nesta terça-feira (3), o que corresponde a 74% das unidades em 372 municípios da Bahia. Das 371 escolas ainda paralisadas no Estado, 255 estão localizadas em Salvador e em Feira de Santana. Ainda segundo a SEC, as escolas que estão retornando já estão organizando os seus calendários de reposição de aulas.
Assembleia decidiu por manter greve
Em assembleia realizada em Salvador, nesta terça-feira (3), os professores votaram a favor da continuação da greve da categoria. O impasse entre os professores da rede estadual e o governo do Estado da Bahia já dura quase três meses.
De acordo com a vice-coordenadora do Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Estado da Bahia (APLB), Marilene Tetros, uma nova assembleia está marcada para a próxima terça-feira (10) a fim de discutir os rumos da greve, e uma assembleia extraordinária pode ser convocada a qualquer momento.
Proposta do governo
A categoria reivindica o pagamento do aumento pleiteado de 22% ao longo de 2012, desde que este valor seja válido para todos os professores - de todos os níveis, incluindo aposentados e probatórios.
A última proposta apresentada pelo governo do estado – e rejeitada pelos docentes em assembleia no dia 5 de junho –previa aumento real de 22% a 26% através de promoções nas carreiras, mas o parcelamento iria até abril do ano que vem.
A proposta apresentada é de 7% de aumento em novembro e outros 7% em abril de 2013. Além desses reajustes, o 6,5% já concedido pelo governo seria mantido. Já para receber promoções, que não incluiam aposentados nem licenciados, os professores teriam que fazer um curso à distância, segundo a APLB.
FOTO CONTRIBUI PARA IDENTIFICAR CÂNCER NO OLHO QUE AFETA CRIANÇAS
Uma simples foto é a maior aliada no diagnóstico do retinoblastoma, um câncer no olho que afeta sobretudo crianças de até cinco anos.
Por conta do tumor, que fica alojado no globo ocular, o reflexo das pupilas muda ao ser registrado nas fotos.
Ao invés do "olho vermelho" comum em fotos com flash, quem tem o tumor acaba com uma coloração branca na vista. O nome técnico desse fenômeno é leucocoria.
"O exame de fundo de olho é muito importante e dá um diagnóstico mais confiável, mas o reflexo branco é o sinal mais evidente. Os pais que precisam se informar e ficar atentos", diz Carla Macerdo, oncologista do Graacc (Grupo de Apoio ao Adolescente e à Criança com Câncer).
O diagnóstico e tratamento precoce aumentam muito as chances de que a criança se recupere praticamente sem sequelas. A maioria dos casos, porém, só é descoberta em estágios mais avançados.
Só no Graacc, mais da metade das crianças acabam precisando extrair todo o globo ocular para conter o avanço do tumor, que pode se espalhar até levar à morte.
"As próteses estão bem realísticas, mas não há muito o que fazer. A criança perde a visão", diz a médica.
No Brasil, são cerca de 400 novos casos por ano. Para os médicos, o ideal é o exame de fundo de olho seja feito ainda na maternidade.
As informações são da Folha de S.Paulo
SECOM/CPP
Países trocam experiências sobre a Educação Infantil no 28º Simpósio Mundial da OMEP
Evento acontece em Campo Grande/MS, entre os dias 18 e 21 de julho
“Quais condições de vida, estruturas educacionais, sociais e ambientais vamos deixar para as próximas gerações?”, indaga a presidente da OMEP/Brasil, Profª. Ma. Maria Aparecida Salmaze. É com essa pergunta em mente e pensando em melhorar a educação brasileira, agregando experiências de outros países, que a OMEP vai realizar o 28° Simpósio Mundial, que acontecerá na capital de Mato Grosso do Sul, no mês de julho.
Inédito no Brasil, o encontro é uma oportunidade para que os profissionais do país possam absorver novas ideias e colocá-las em prática nas salas de aula e em seus cotidianos. Segundo a Professora, centenas de pessoas, com os mesmos objetivos e interesses, se reunirão durante os dias do evento para debater e conhecer possibilidades para melhorar a infância das futuras gerações.
Representantes de países como Suécia, China, Estados Unidos, Nigéria e Coreia já inscreveram trabalhos para serem apresentados e discutidos durante o evento. Todos os 250 trabalhos registrados obedecem ao tema do Simpósio: “Primeira Infância no Século XXI: o direito das crianças de viver, brincar, explorar e conhecer o mundo”. Dentro do assunto geral, as pesquisas se subdividem em vários eixos temáticos, que vão desde a formação do professor até a educação para a sustentabilidade.
Presença confirmada de quase 40 países
Os seguintes países já confirmaram presença no Simpósio: Canadá, Bangladesh, Índia, Grécia, Irlanda, Bósnia e Herzegovina, África do Sul, Rússia, Venezuela, Uruguai, Nigéria, Haiti, Gana, Suécia, Colômbia, Argentina, Espanha, Austrália, Coreia do Sul, França, Estados Unidos, Bélgica, Turquia, China, Chile, Benim, Costa Rica, Líbia, Nova Zelândia, Equador, Alemanha, Singapura, Reino Unido, Japão, Peru, Portugal e México.
Serviço
O Simpósio acontecerá no campus da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, entre os dias 18 e 21 de julho. As inscrições podem ser feitas pelo site.
Fonte: Assessoria de Imprensa OMEP/BR/MS
Excluídos pela inclusão
Colocar crianças com necessidades especiais em salas separadas divide educadores: parte deles acredita que é segregação, outros defendem que é uma alternativa eficiente para o aprendizado
A educação escolar de crianças com necessidades educacionais especiais não é uma experiência nova. Em meados da década de 70, as chamadas escolas alternativas já faziam as primeiras tentativas de acolher esses alunos no espaço escolar. Desde então, as escolas vêm acumulando as mais diversas experiências, e hoje se consolida cada vez mais a tendência de pensar numa educação de qualidade para todos. Mas o que seria isso? No início da década de 90, surgiu nos Estados Unidos um movimento que propunha a inclusão de todas as crianças com necessidades especiais em escolas regulares. Após a Conferência Mundial sobre Necessidades Educativas Especiais, realizada em Salamanca, Espanha, em 1994, o “discurso da inclusão” tomou feições internacionais e, no Brasil, foi incorporado pelo Ministério da Educação e pela Secretaria de Educação Especial.
Se por um lado o princípio é indiscutível – todas as crianças, independentemente de suas condições, têm direito e devem ter acesso à escolarização de qualidade – por outro, ele cria dificuldades, quando se propõe a definir o que seria esse processo ou como deveria se dar. Em que pesem as diferenças existentes entre eles, os defensores da inclusão preconizam que todas as crianças devem estar em escolas e em classes regulares. Mas o que os autoriza, por exemplo, a afirmar que os surdos se escolarizam melhor em escolas e classes de ouvintes se eles próprios pensam exatamente o contrário? O que os leva a pensar que as chamadas crianças autistas e psicóticas devem estar obrigatoriamente em classes regulares, quando existem experiências tão diversas de sua escolarização e pouco se conhece ainda de seus particularíssimos modos de aprendizagem?
Em uma conversa sobre inclusão com um grupo de professoras da Rede Estadual de Ensino de Pernambuco, uma delas falou sobre suas experiências pedagógicas com crianças com necessidades especiais. Para algumas delas, disse a professora, as classes especiais ou integradas eram condição para estarem na escola, um meio de se tornarem visíveis. Para outras, essas classes foram dispositivos que promoveram a segregação e acentuaram a condição de inexistência. O mesmo se poderia dizer das salas regulares. “O que a minha experiência mostra e eu defendo”, disse a professora, “é que não há um modelo a ser seguido.” E concluiu: “Por isso, sou contra a inclusão”. Finalmente, movida por certo desconforto decorrente de seu posicionamento, acrescentou que, óbvio, não defendia a exclusão.
A fala dessa professora explicita o que incomoda no discurso da inclusão: ele tornou-se um discurso hegemônico e ideológico. Ou seja, o que é uma entre várias possibilidades de pensar a educação para todos tornou-se A forma, aquela que anuncia uma verdade única e indiscutível. O fato de a professora sentir-se obrigada a justificar que não era defensora da exclusão evidencia o efeito do modo maniqueísta de pensar presente nesse discurso: quem não está comigo, que represento o bem, está contra mim e com o mal. Ou seja, não aderir ao discurso da inclusão implica defender a exclusão. E aqueles que não aderem passam a fazer parte de uma extensa lista de excluídos – composta de professores, diretores de escolas, pais e dos próprios alunos com necessidades especiais, como os surdos, por exemplo –, tachados de resistentes, preconceituosos e segregacionistas.
Isso leva a supor que talvez, para pensar sobre uma educação de qualidade para todas as crianças, o paradigma binário inclusão/exclusão não ajude. Assim, a ideia de uma escola inclusiva deveria ser substituída pela de escolas diversas e plurais, efeito de experiências bem-sucedidas, sempre particulares, que já foram construídas ou estão por construir. Elas poderiam ser uma espécie de antídoto contra a atração fatal de homogeneizar o que é diverso por condição.
Fonte: Ana Elizabeth Cavalcanti (Revista MenteCérebro)
Alfabetização mais fácil para crianças especiais
Professora universitária pernambucana desenvolveu um software que incentiva a associação de grafias e sons a imagens do cotidiano infantil
Identificar objetos de casa, animais e brinquedos pelos seus próprios nomes, uma etapa simples para a maioria das crianças, pode se tornar um obstáculo na Alfabetização quando há um diagnóstico de síndrome de Down ou hiperatividade, por exemplo. Pensando nisso, uma Professora universitária pernambucana desenvolveu um software que incentiva a associação de grafias e sons a imagens do cotidiano infantil. O Downex, que está disponível na internet, visa acelerar o reconhecimento de palavras mesmo por parte de jovens especiais e pode se tornar um importante aliado de pais e Professores no processo de Alfabetização.
De acordo com a idealizadora do projeto, Ameliara Freire, a iniciativa surgiu ainda quando ela fazia curso de graduação, fruto de dificuldades encontradas em sua vida pessoal. “Meu irmão, hoje com 25 anos, tem a síndrome de Down e a parte de Alfabetização sempre foi um problema em seu desenvolvimento. A ideia surgiu justamente para pensar em uma forma de facilitar esse aprendizado”, explica. O programa teve um projeto inicial quando Ameliara ainda estava na graduação do curso de sistemas de informação, em 2006, e tomou moldes de produto aplicável em um tratamento pedagógico neste ano, como parte da conclusão de seu projeto de mestrado.
Simples e com uma interface colorida, o Downex foi concebido para manuseio por parte da criança junto a um adulto responsável. Após escolhida uma das letras do alfabeto (ainda com 23 caracteres, sem a incorporação de k, y ou w), a criança é levada a uma tela em que deve identificar imagens e palavras que tenham início com a respectiva escolha. Além de cores, o Aluno ainda tem o recurso sonoro que identifica cada figura, facilitando a associação ao vocábulo. “É uma ferramenta fantástica. Conseguimos fixar a atenção mesmo em pacientes hiperativos e automatizar conhecimentos relacionados às letras trabalhadas. Além disso, o exercício contínuo com o mouse facilita o desenvolvimento da coordenação motora, muito relevante nestes casos”, afirmou a fonoaudióloga Andressa Viana, uma das primeiras profissionais de saúde a realizar testes com pacientes de Down utilizando o software.
Segundo Ameliara Freire, o projeto teve contribuições indiretas de diversos profissionais de Educação até chegar no modelo que será apresentado ao público. O número de imagens é restrito e uniforme, para evitar dispersão, e todas as palavras são escritas em caixa alta, para facilitar a diferenciação das letras. A avaliação é feita por meio de incentivos, utilizando termos como “parabéns” e “tente novamente”, em vez de restringir os resultados a erros e acertos. No site também serão criados perfis para Professores e administradores, de forma que relatórios dos usuários possam ser acessados e comparados, permitindo uma melhor avaliação de seu progresso. “A aceitação por parte da criança é boa porque a atividade se apresenta de forma divertida. Mas essa ação não substitui Professor ou aprendizado tradicional. É apenas uma forma de permitir um acompanhamento contínuo que acelere essa formação intelectual, em casa ou na Escola”, finaliza.
Opinião: A escola e o respeito às diferenças
Relembrando a experiência como Aluno da Rede Pública de Ensino, pensei em compartilhar tais lembranças que me remeteram a uma Escola que nunca foi inclusiva, ou seja, nunca respeitou as diferenças, mas foi sempre muito boa em deixá-las claras para saber como lidar com as mesmas.Entre outros fatos, lembrei-me das turmas divididas em ordem alfabética de acordo com o “potencial de cada Aluno”. Encontravam-se nas turmas “A” apenas os Alunos que nunca foram reprovados, enquanto nas turmas “B”, “C”, “D” e “E” aqueles os que não atingiram as metas estabelecidas exatamente nesta ordem de desmotivação. Muitas vezes ouvi de Professores: “Aquela turma “E” é um terror!”. Seria para separar o joio do trigo? Além disso, dentro das salas de aula era sempre lembrado quem era o Professor, detentor dos conhecimentos e da moral, e quem eram, para eles, os Alunos – vazios do conhecimento em suas mentes e com o dever da obediência à moral particular do Professor.
Quantas vezes também ouvi de Professores: “Eu já sei de tudo isso e tenho minha vida feita, mas se vocês não quiserem aprender saiam da sala, pois eu não perco nada com isso, no fim do mês meu salário será o mesmo!” Mas, não seria função de um Professor estimular o educando a ter interesse pelo aprendizado fortalecendo aquilo que ele, o educando, já sabe e dessa forma aprender com ele nesta construção coletiva de novos conhecimentos? E sobre a avaliação: quantas vezes os “Alunos” tiveram acesso à forma como eram avaliados nos temidos conselhos de classe?
Quantas vezes tivemos espaço para avaliar os Professores, a direção, enfim, a Escola? Quantas vezes participamos, de alguma forma, da elaboração da Proposta Político Pedagógica da Escola? Quem de nós Alunos sabia o que era essa tal de PPP? Quantas vezes opinamos pela escolha de algum esporte ou mesmo de outras atividades? Incrível como a Escola não observava os talentos que se mostravam em tantos Alunos de diversas formas que não eram a escrita, a leitura ou a capacidade de decorar questionários.
Será que se ela tivesse um olhar mais ampliado para estes talentos fora dos padrões pré-estabelecidos alguns de meus amigos ainda estariam vivos e outros livres? Não sei. Mas, porque a Professora dizia sempre: “Se você continuar com este comportamento vou chamar a diretora!”? Será que era porque ela, a diretora, tinha o poder de nos “suspender”, ou dependendo do caso, nos expulsar? Contavam-se histórias de Alunos expulsos que não conseguiam se matricular em Escola alguma porque estavam com má recomendação na ficha. Ficha suja? Será que isso era verdade, ou era uma forma de, através do medo, nos controlar? Muitos ficaram pelo caminho e não concluíram o Ensino médio, que era o tal 2° Grau da época, também conhecido como o final dos estudos. Alguém já ouviu a expressão: “E aí, Já terminou os estudos?” Será que a culpa dos que não concluíram o Ensino médio foi deles ou de uma Escola despreparada para lhe dar com as diferenças?
Uma Escola como a descrita acima, onde a resposta a todas as questões é negativa, pode ser chamada de Escola inclusiva ou testou a nossa capacidade de adaptação e submissão a ordem imposta por meio do medo de um futuro incerto? Ficam estas e outras questões para uma avaliação da Escola que temos hoje e o planejamento da que queremos futuramente.
Fonte: Diário de Pernambuco/PE
terça-feira, julho 03, 2012
Lampião e seu bando...

Lampião morto com seu bando e Maria Bonita
Texto do Professor Luciano Urpia
LAMPIÃO E SEUS CANGACEIROS DEGOLADOS
DATA DA FOTO: 1938.
FOTÓGRAFO: Desconhecido.
O bando de Lampião estava acampado na fazenda Angicos em 27 de julho de 1938, situana no sertão de sergipe. Era um esconderijo tido como altamente seguro para o bando. Era uma noite muito chuvosa e todos estavam acampados. Por volta de 5:15h do dia 28 de julho do mesmo ano, um grupo de policiais (volante) portando metralhadoras portáteis, chegou ao local e começou a disparar rajadas de bala. A indicação de onde os cangaceiros estavam foi uma traição que até hoje se desconhece o autor. O ataque durou mais ou menos 20 minutos. Os disparos de metralhadoras foram feitos pelo tenente João Bezerra e o sargento Aniceto Rodrigues da Silva.
Dos trinta e quatro cangaceiros presentes, onze morreram ali mesmo. Lampião foi um dos primeiros a morrer (degolaram ele). Maria Bonita estava gravemente ferida e foi degolada ainda com vida. O mesmo ocorreu com Quinta-Feira, Mergulhão (os dois também tiveram suas cabeças arrancadas em vida), Luis Pedro, Elétrico, Enedina, Moeda, Alecrim, Colchete e Macela. Um dos policiais, demonstrando ódio a Lampião, desfere um golpe de coronha de fuzil na sua cabeça, deformando-a; este detalhe contribuiu para difundir a lenda de que Lampião não havia sido morto, e escapara da emboscada, tal foi a modificação causada na fisionomia do cangaceiro.
DESCRIÇÃO DA FOTO (de cima para baixo; da esquerda para a direita)
1. Diferente, 2."Não identificado", 3. Cajarana, 4. Medina, 5. Caixa de Fósforo, 6. Elétrico, 7. Mergulhão, 8. Luís Pedro, 9. Maria Bonita, 10. Quinta-Feira, 11. Lampião.
Como tudo aconteceu
Lampião: uma vida, uma morte
Autor do texto: Marcelino Mariz
Virgolino da Silva Ferreira, o Lampião, foi assassinado em 28 de julho de 1938, na Fazenda Angicos, em pleno sertão do Estado de Sergipe.

No cangaço, os casais mais conhecidos e depois destacados pela mídia eram Lampião e Maria Bonita (pelas fotos, nunca achei), Corisco e Dadá, Zé Sereno e Sila.
Sila " Ida Ribeiro de Souza - uma das protagonistas da história estava presente no instante da morte do cangaceiro comandante e de parte de seus seguidores.
As páginas 218 e 219 do livro "Lampião, nem herói nem bandido" de Anildomá Willans de Sousa, por sinal, conterrâneo do apelidado "Rei do Cangaço", ambos nasceram em Vila Bela, atual Serra Talhada, trazem o seguinte depoimento de Sila, em linguagem própria:
....
"Eram umas cinco horas da manhã, mais ou menos, quando José (Sereno) desceu pro rancho de Lampião. Como sempre, ele rezava o ofício de Nossa Senhora, mas eu não desci, eu fiquei. Naquilo que eu estava deitada escutei os tiros. Eu peguei os bornais e sai. Não deu pra pegar as sandálias, e eu sai descalça e subi. Era tanto tiro que a gente não enxergava. Era facheiro, era xiquexique, mandacaru, tudo caindo em cima. Naquilo eu peguei o cantil para tomar água, como nós tínhamos um cantil de água e outro de açúcar, eu peguei o de açúcar e secou mais minha garganta. Nisso tinha uma pedra grande na frente e eu me deitei atrás da pedra. Dou outro lado tinha uns macacos (policiais), que diziam; "Vem prá cá, vem prá cá". Eu não sabia se era cangaceiro ou macaco e estava esperando a morte, quando vi Criança passar e ele disse: "Sila vem prá cá". Eu desci me arrastando, sem ficar em pé, quando cheguei perto de Criança, me levantei. Enedina vinha atrás de mim e ela foi baleada na cabeça e os miolos voou tudo nas minhas costas. Olhei prá trás e vi que era Enedina, mas continuei, pois já tinha mais jeito. Na frente, Candeeiro foi baleado no braço e disse: "Sila to baleado". Eu peguei o fuzil dele e falei: "Vamos, levanta". Ele levantou-se e eu peguei o fuzil dele e sai com o fuzil dele. Eu Criança, Dulce e Candeeiro. Quando saímos fora, o Criança falou: "Dessa turma acho que só escapou nós. Desse jeito acho que não escapou mais ninguém.
Naquilo nós ouvimos tiros de parabéllum (arma de fogo). Era o José (Sereno). O Criança disse: "Sereno atirou, oi ele saiu. Logo em seguida o José (Sereno) encontrou-se com a gente e falou: "Lampião morreu, o Luiz Pedro Morreu. Maria (Bonita) morreu. Acho que só saiu nós mesmo.
Na página 221, o volante (policial ou macaco), José Panta de Godoy, narrou os fatos no próprio local dos acontecimentos, - disse ele: "Cheguei perto de cangaceiro que tava caído e dei um tiro na cabeça dele, que até levantou. Santo (volante ou macaco), vinha chegando e disse: "Não esbagaça não que esse é Lampião". Aí também arriei. Santo cortou a cabeça de Lampião e depois me emprestou o facão que eu não tinha, prá eu cortar a cabeça de Maria Bonita, de Marcela e de Alecrim.
Em várias vilas e cidades, dezenas de pessoas reconheceram Lampião morto, - assim como os demais cangaceiros com as cabeças separadas do corpo a golpes de facão.
Após as mortes, as cabeças dos cangaceiros foram salgadas e conduzidas para o IML de Macéio - AL, mas antes foram expostas em várias cidades. Depois as levaram para a Faculdade de Odontologia da UFBA, onde ficaram armazenadas por seis anos, e posteriormente para o Museu Nina Rodrigues de Salvador - que por lá ficaram expostas por longos anos. Nesse "lenga lenga", finalmente as cabeças foram sepultadas em 24 de maio de 1965, por pressão da Igreja Católica e de um movimento universitário da Universidade de Brasília.
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